quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Como seria o Brasil se a cultura dos índios sobressaísse a dos portugueses?



Essa é uma pergunta retórica. Tem o objetivo de questionar a volta as origens essenciais da cultura Brasileira. É difícil extrapolar uma cultura dessas mas com certeza seria um pais com mais respeito pela natureza, menos desgaste entre as culturas que chegaram depois.

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A idéia aqui não é colocar o índio fora de seus valores, de sua terra, de sua essência. Pelo contrario – como aconteceu com muitas outras culturas prosperas (tais como a Japonesa, Chinesa, etc.) a idéia é simular como que 200 anos (ou mais) de evolução fizesse com que essa cultura amadurecesse e se mostrasse importante para o resto do mundo.

Admiro muito como os Japoneses fizeram sobreviver muitos aspectos culturais dos seus antepassados tribais, os Ainos, e estes mesmos fizeram sobreviver muito de suas antigas tribos Okhotsk e Satsumon, e os acontecimentos que advirão da unificação dos shogunatos de 1590. Fatores históricos que fizeram com que cada integrante de sua cultura tivessem maturidade social e sobrevivessem a toda interferência cultural até os dias de hoje. "Temos que agregar o melhor da evolução social, tecnológica, etc, mas guardar e respeitar a nossa essência" dizia meu grande amigo descendente de Japoneses Pedro Takaki. Acredito que esta teria sido a evolução cultural mais adequada aqui no Brasil com nossas etnias locais.

Os povos indígenas brasileiros deram contribuições significativas para a cultura mundial, como a domesticação da mandioca e o aproveitamento de várias plantas nativas, como o milho, o tabaco, o guaraná, a erva-mate, a batata-doce, a pimenta, o caju, o abacaxi, o cará, o pinhão, o açaí, a pitanga, a jabuticaba, a mangaba, o cajá, o umbu, o urucum, o jenipapo, o maracujá, a goiaba, o pequi, o jambu, o jatobá, o buriti, a carnaúba, a juçara, a pupunha, o jerivá, a copaíba, a andiroba, o tucum etc. Além disso, difundiram o uso da rede de dormir e a prática da peteca.

Os brasilíndios tinham como organização básica a aldeia ou a taba, formadas pelas ocas ou malocas, dispostas em círculos, onde viviam as famílias. O governo era exercido por um conselho - nheengaba -, formado pelos mais velhos, e só em época de guerra escolhiam um chefe, o cacique ou morubixaba.

Assim como a cultura japonesa, as diversas etnias preservaram sua cultura e evoluíram muito em todos os outros aspectos. No Brasil idealizado sob estes preceitos, as grandes ocas comunitárias funcionariam como centros culturais, onde qualquer um poderia pousar e executar sua pesquisa ou trabalho.

Assim como os Japoneses que associam tradição a inovação as ‘Ocas Tecnológicas’ são a prova que as etnias brasileiras são evoluídas sem perder a essência.

Para que esta historia alternativa pudesse seguir seu curso na forma que especulo, muitas coisas deveriam ser alteradas no passado. Creio que a mudança mais importante seria a - não promulgação - da lei que proíbe o uso de idiomas indígenas em todo território nacional redigida pelo Marquês de Pombal.

A língua tupi era a língua originalmente falada pelos povos tupis da América do Sul (tupinambás, tupiniquins, caetés, tamoios, potiguaras, temiminós, tabajaras etc.). Foi aprendida pelos colonizadores portugueses e, por intermédio destes e de seus descendentes, se tornou o idioma mais usado no Brasil durante os séculos XVI e XVII

Há 300 anos, morar na vila de São Paulo de Piratininga (peixe seco, em Tupi Antigo- “xe pe Piratining çui” – “vou para o local onde os peixes são secos”) era quase sinônimo de falar língua de índio. Em cada cinco habitantes da cidade, só dois conheciam o português. Por isso, em 1698, o governador da província, Artur de Sá e Meneses, implorou a Portugal que só mandasse padres que soubessem “a língua geral dos índios”, pois “aquela gente não se explica em outro idioma”.

O ponto final dessa cultura indianista se deu com o Irritado Marquês de Pombal (1699-1782), que então governava Portugal e suas colônias. Cansado dos problemas que tinha com uma falta de uniformidade de idiomas em São Paulo, resolveu impor o português por decreto, em 1758. O Diretório dos Índios, proibiu o uso de todas as línguas indígenas e o ensino do nheengatu, “invenção diabólica” dos jesuítas.

Hoje, o uso do Tupi Antigo, ou língua geral, base de todos os idiomas étnicos brasileiros, se restringe à região do alto Rio Negro e a um pedaço da Venezuela.

Eduardo Navarro fundador da 'Tupi Aqui', uma organização não-governamental (ONG) que tem por objetivo lutar pela inclusão do idioma como matéria optativa no currículo das escolas paulistas, assim como nosso querido Policarpo Quaresma, enxerga a importância cultural de nossa herança proibida por decreto "O Tupi Antigo foi a língua que falaram Tibiriçá, Coiobi, Araribóia, Felipe Camarão, Cunhambebe, Bartira, João Ramalho, Caramuru, Soares Moreno, Martim Afonso Leão, nomes a todos familiares desde o curso primário, língua que foi descrita a falada por Anchieta, por Luis Figueira, falada por Antonio Vieira, língua que em forma evoluída, Fernão Dias Paes, Borba Gato, Bartolomeu Bueno da Silva (o Anhangüera), Raposo Tavares falaram e levaram com suas bandeiras para as regiões interioranas do Brasil, língua que Gonçalves Dias e José de Alencar tentaram aprender para compor suas obras e afirmar uma literatura nacional, em oposição a literatura lusitana".

O conceito de "índio" é uma invenção europeia. Os habitantes originais das Américas nunca se enxergaram como um povo uno. Pelo contrário, diferentes grupos indígenas nutriam grande animosidade e constantemente guerreavam entre si. No Brasil, os tupis viviam ao longo do litoral quando da chegada dos portugueses, sendo oriundos, no entanto, da Amazônia. Uma "identidade indígena" só foi criada séculos depois, com a chegada dos europeus.
Na cidade que evoluiu da cultura indígena a natureza é sempre respeitada e as casas ainda mantém o formato de ocas


A população indígena brasileira é formada por 305 grupos étnicos diferentes entre si. Essa diversidade fica clara quando pensamos na quantidade de línguas faladas no Brasil. Pesquisas do lingüista Aryon Rodrigues, da UNB, mostram que há 180 delas no país. Deste conjunto, algumas estão praticamente extintas, como a karipúna, que um único índio conhece.

Classificação

A primeira classificação dos indígenas foi feita pelos jesuítas, baseada na língua e na localização. Os que habitavam o litoral (os tupis), foram chamados de índios de língua geral e os que viviam no interior (tapuias), de índios de língua travada. No século XIX, o estudioso alemão Karl von den Steinen, apresentou a primeira classificação científica dos indígenas bra-sileiros, dividindo-os em quatro grandes grupos básicos ou nações: 


1)Tupis-Guaranis;

2)Jês ou Tapuias; 
3)Nuaruaques ou Maipurés e 
4)Caraíbas ou Caribas.


E quatro grupos menores: 


5)Goitacás; 

6)Panos; 
7)Miranhas; e 
8)Guaicurus.


Até meados dos anos 70, acreditava-se que o desaparecimento dos povos indígenas seria algo inevitável porem algo incrível aconteceu. Nos anos 80, verificou-se uma reversão da curva demográfica e, desde então, a população indígena no país vem crescido de forma homogênea, indicando uma retomada demográfica por parte da maioria desses povos, embora povos específicos tenham diminuído demograficamente e alguns estejam até ameaçados de extinção. Na listagem de povos indígenas no Brasil elaborada pelo ISA (Instituto Socioambiental), sete deles têm populações entre 5 e 40 indivíduos.

Dos  238 povos listados 43 têm parte de sua população residindo em outros países. Segundo o Censo do IBGE de 2010, 896.917 pessoas se declararam  pertencentes a alguma etnia. Destes, 324.834 vivem em cidades e 572.083 em áreas rurais, o que corresponde aproximadamente a 0,47% da população total do país.

A Coordenação Geral de Índios Isolados e Recém Contatados (CGIIRC) confirma a existência de 28 desses grupos. Em toda a América Latina, o Brasil é o único país a ter um órgão específico para desenvolver políticas de proteção a indios isolados.

As cidades que mais concentram populações indígenas são:

1) São Gabriel da Cachoeira (AM) – 76,31%
2) Uiramutã (RR) – 74,41%
3) Normandia (RR) – 57,21%
4) Santa Rosa do Purus (AC) – 48,29%
5) Ipuaçu (SC) – 47,87%
6) Baía da Traição (PB) – 47,70%
7) Pacaraima (RR) – 47,36%
8) Benjamin Constant do Sul (RS) – 40,73%
9) São João das Missões (MG) – 40,21%
10) Japorã (MS) – 39,24%

Indianismo


Quadro de José Maria de Medeiros, personagem Iracema do Romance de José de Alencar, Museu Nacional de Belas Artes do Rio de janeiro 1881


A partir do apoio de D. Pedro II aos intelectuais e artistas, o Romantismo brasileiro se transformou em projeto oficial, expressando sua ligação com a política. Para valorizar as origens da nacionalidade escolheu-se o índio, visto como parte integrante e como fundador da nação brasileira. Em 1856, quando Gonçalves de Magalhães publicou o poema Épico A Confederação dos Tamoios, obra financiada pelo Imperador, o índio passou a ser considerado o símbolo nacional. Idealizado, corajoso, puro e honrado, transformou-se na própria encarnação da jovem e independente nação brasileira, conduzida agora por D. Pedro II.

"Oswald de Andrade, numa viagem a Paris, do alto de um atelier da Place Clichy - umbigo do mundo -, descobriu, deslumbrado, a sua própria terra. A volta à pátria confirmou, no encantamento das descobertas manuelinas, a revelação surpreendente de que o Brasil existia. Esse fato, de que alguns já desconfiavam, abriu seus olhos à visão radiosa de um mundo novo, inexplorado e misterioso. Estava criada a poesia `pau-brasil'."

Oswald de Andrade, no Manifesto Antropofágico, procurou transformar o “bom selvagem” de Rousseau num aguerrido selvagem devorador, que digere e transforma a cultura européia do colonizador, tornando-a parte de sua própria cultura. Considerando a questão do “bom selvagem” no pensamento de Rousseau, é correto afirmar.

O mesmo olhar de Oswald de Andrade foi o que tive em um sonho de 1983 quando, ao se olhar através da luneta do professor Lanzza a verdadeira essência das coisas se misturam com seu estado de espírito e algo surpreendentemente novo surge.

O quadro de Tarsila do Amaral pintado em 1928, o Apapuru é a obra de arte brasileira mais valorizada no mundo, tendo alcançado o valor de US$ 1,5 milhão, pago pelo colecionador argentino Eduardo Costantini em 1995. Encontra-se exposta no Museu de arte latino-americana de Buenos Aires (MALBA). 

Abaporu vem dos termos em tupi aba (homem), pora (gente) e ú (comer), significando "homem que come gente".

O indianismo correu por algumas vertentes isoladas tais como O Indianismo barroco de Padre José de Anchieta; O Indianismo arcádico de Basílio da Gama, autor do poema épico O Uraguai; O Indianismo romântico de José de Alencar, na prosa, com os romances O Guarani, Iracema e Ubirajara, entre outros, nas artes plásticas, o quadro Moema, de Victor Meirelles, Marabá e O Último Tamoio, de Rodolfo Amoedo são grandes exemplos.

O Indianismo gonçalvino - Gonçalves Dias, na poesia, com poemas espalhados por vários livros, destacando-se I-Juca-Pirama, na qual relata a morte do último remanescente da tribo Tupi, devorado por índios da tribo dos Timbiras ; Marabá; bem como o inacabado Os Timbiras.

Dessa forma o movimento indianista se une ao modernismo antropofágico em nova tendência - O NOVO INDIANISMO.

Cauim

Uma tradicional bebida alcoólica dos povos indígenas do Brasil, obtida da fermentação da mandioca é encontrada nos dias de hoje somente em reservas indígena. Porem, nesse Brasil alternativo o Cauim é tão popular quanto a cerveja e é fabricado por diversas Cooperativas Tribais Limitadas (CTL) - uma forma de cooperativa com fins comerciais que tem como filosofia a sustentabilidade e compromisso com a sociedade. O mercado do Cauim no Brasil é avaliado em quase um bilhão de reais, cinco vezes menor do que o de cerveja, mas encontra grande expansão no resto do mundo.


 Diversas marcas de Cauim (fermentado de mandioca típico dos nativos brasileiros) competem nesse acirrado mercado de bebidas


Economia e sociedade 'Nova Tupi'

Nos dias de Hoje a agricultura é a principal atividade econômica dos povos indígenas, mas eles apreciam também a caça e a pesca, praticando-as sempre que possível. Realizam uma economia de subsistência, marcada pela distribuição e redistribuição dos bens produzidos e na qual relações de produção econômica, seja qual for a atividade, são pautadas por vínculos sociais definidos pelo parentesco. A “propriedade” (uso exclusivo) das roças e o consumo dos produtos é da família elementar, depois do nascimento dos filhos do casal, o que não exclui distribuição de bens produzidos ou adquiridos, serviços nas roças do sogro e a realização de mutirões dentro dos grupos macro familiares. A economia no Brasil alternativo 'Nova Tupi' ( Tupi-Pop  ou TP-Pop), tem as mesmas raízes. Apesar de ser um sistema econômico muito similar ao socialista é completamente capitalista. Os índios aprenderam desde cedo o que Darwin citou como ‘Adaptabilidade’. Os índios sabem como ninguém como se adaptar às necessidades da natureza e do homem. e aprendeu a lucrar observando detalhadamente os hábitos de consumo de sua economia. 

Muito investimento em pesquisa para comprovar o conhecimento adquirido por diversas gerações tornaram a ‘Economia Nova Tupi’ em líder mundial em biotecnologia, um dos mais prósperos motores da economia Brasileira dos índios. 

Também tem um conhecimento empírico sobre os recursos naturais, que aliado a pesquisas e altos investimentos nos últimos 100 anos, levou a a patamares extremamente elevados, o Brasil alternativo divide a primeira posição junto com os Estados Unidos a posição de maior economia mundial.


Na economia alternativa 'Nova Tupi' os restaurantes de comidas étnicas brasileiras não só tem grandes investimentos como também leva nossa cultura a todas as principais capitais do mundo



Como em qualquer civilização, os padrões de beleza e estética são muito radicalizados quando adolescentes os exploram. No caso de indígenas brasileiros os discos labiais usados ​​por Kayapos deram origem a muitas outras formas de piercings e adornos. O "piercing janela" é um disco de plexiglas embutido no lábio inferior e na bochecha para que se possa ver o interior da boca e a linha da gengiva. O conceito tomou uma nova vida com os jovens!



O "piercing janela" é um disco de plexiglas embutido no lábio inferior e na bochecha para que se possa ver o interior da boca e a linha da gengiva. 

Conclusão 

A lição que se aprende ao filosofar sobre tal consideração é a de que 'não é tarde de mais'. Ainda podemos e devemos nos orgulhar de nossas origens, valoriza-las e fazê-las sobreviver, viver feliz e prosperar.  Talvez em dias próximos vejamos cenas como essas sem associarmos à ficção.



sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Orixás em Toy Art

Oxalá, Oxum, Iansã, Exu Ogum, Xangô e Oxossi em Toy Art
ASSIM NASCEU O CANDOMBLÉ


Candomblé é uma religião derivada do animismo africano onde se cultuam os orixás (a saber), Voduns ( dos Bantus é o mesmo Vudu cultuado no Haiti), Nkisis (originário do povo Kimbundu no norte de Angola) dependendo da nação.


Culto de origem totêmica e familiar, é uma das religiões afro-brasileiras praticadas no Brasil, pelo chamado povo do santo, mas também em outros países como Uruguai, Argentina, Venezuela, Colômbia, Panamá, México, Alemanha, Itália, Portugal e Espanha. Diferente de como acontecia na África onde estes orixás eram cultuados independentemente em cada nação, aqui no Brasil o culto sofreu uma junção em decorrência da importação de escravos onde, agrupados nas senzalas nomeavam um zelador de santo também conhecido como babalorixá.

Assim como nos horóscopos, todas as pessoas tem orixás que regem a sua vida; os orixás de cabeça ou orixás de frente, a energia básica, fundamental de um individuo e o orixá ‘Ajuntó’ de características mais sutis, que ameniza o caráter do orixá de cabeça.

Para entender mais como o candomblé é tido no Brasil conheça a lenda yorubá (povo Nigério-Congolês) que explica o nascimento dos orixás e do próprio candomblé:

No começo não havia separação entre o Orum, o Céu dos orixás, e o Aiê, a Terra dos humanos.

Homens e divindades iam e vinham, coabitando e dividindo vidas e aventuras.

Conta-se que, quando o Orum fazia limite com o Aiê, um ser humano tocou o Orum com as mãos sujas.

O céu imaculado do Orixá fora conspurcado.

O branco imaculado de Obatalá se perdera.

Oxalá foi reclamar a Olorum.




Toy Art - Olorum Orixá - Deus Supremo


Olorum, também conhecido como Olodumaré, Senhor do Céu, Deus Supremo, irado com a sujeira, o desperdício e a displicência dos mortais, soprou enfurecido seu sopro divino e separou para sempre o Céu da Terra.

Assim, o Orum separou-se do mundo dos homens e nenhum homem poderia ir ao Orum e retornar de lá com vida. E os orixás também não podiam vir à Terra com seus corpos. Agora havia o mundo dos homens e o dos orixás, separados. Isoladas dos humanos habitantes do Aiê, as divindades entristeceram.

Os orixás tinham saudades de suas peripécias entre os humanos e andavam tristes e amuados.

Foram queixar-se com Olorum, que acabou consentindo que os orixás pudessem vez por outra retornar à Terra.

Para isso, entretanto, teriam que tomar o corpo material de seus devotos.

Foi a condição imposta por Olorum.

Oxum, que antes gostava de vir à Terra brincar com as mulheres, dividindo com elas sua formosura e vaidade, ensinando-lhes feitiços de adorável sedução e irresistível encanto, recebeu de Olorum um novo encargo:

preparar os mortais para receberem em seus corpos os orixás.

Oxum fez oferendas a Exu para propiciar sua delicada missão.

De seu sucesso dependia a alegria dos seus irmãos e amigos orixás.

Veio ao Aiê e juntou as mulheres à sua volta, banhou seus corpos com ervas preciosas, cortou seus cabelos, raspou suas cabeças, pintou seus corpos.

Pintou suas cabeças com pintinhas brancas, como as pintas das penas da conquém, como as penas da galinha-d’angola. Vestiu-as com belíssimos panos e fartos laços, enfeitou-as com jóias e coroas.

O ori, a cabeça, ela adornou ainda com a pena ecodidé, pluma vermelha, rara e misteriosa do papagaio-da-costa. Nas mãos as fez levar abebés, espadas, cetros, e nos pulsos, dúzias de dourados indés.

O colo cobriu com voltas e voltas de coloridas contas e múltiplas fieiras de búzios, cerâmicas e corais.

Na cabeça pôs um cone feito de manteiga de ori, finas ervas e obi mascado, com todo condimento de que gostam os orixás.

Esse oxo atrairia o orixá ao ori da iniciada e o orixá não tinha como se enganar em seu retorno ao Aiê.

Finalmente as pequenas esposas estavam feitas, estavam prontas, e estavam odara.

As iaôs eram as noivas mais bonitas que a vaidade de Oxum conseguia imaginar. Estavam prontas para os deuses.

Os orixás agora tinham seus cavalos, podiam retornar com segurança ao Aiê, podiam cavalgar o corpo das devotas.

Os humanos faziam oferendas aos orixás, convidando-os à Terra, aos corpos das iaôs.

Então os orixás vinham e tomavam seus cavalos.

E, enquanto os homens tocavam seus tambores, vibrando os batás e agogôs, soando os xequerês e adjás, enquanto os homens cantavam e davam vivas e aplaudiam, convidando todos os humanos iniciados para a roda do xirê, os orixás dançavam e dançavam e dançavam.

Os orixás podiam de novo conviver com os mortais.

Os orixás estavam felizes.

Na roda das feitas, no corpo das iaôs,

eles dançavam e dançavam e dançavam.

Estava inventado o candomblé.

Pai de Santo ao centro em frente ao altar, músicos da esquerda para a direita Agogo, Xequerê, Rum, Rumpi e Lé. Freqüentadores a esquerda e orixás na roda de Candomblé: -Exú, Ogum, Oxossi, Xangô, Oxum e Iansã e Oxalá.

Na mitologia Yorubá, há menção de mais de 600 orixás primários, divididos em duas classes, aproximadamente 400 dos Irun do Orun ("céu") Imole e 200 Igbá Imole da Aiye ("Terra").

Estes grupos ainda se dividem em os orixás Funfun (brancos, que vestem branco, como Oxalá e Orunmilá), e os orixás Dudu (pretos, que vestem outras cores, como Obaluayê e Xangô).

Saiba um pouco mais dos orixás mais conhecidos:



Toy Art - Exú Orixá


Exu
É o orixá da comunicação. É o guardião das aldeias, cidades, casas e do axé. A palavra Èsù em yorubá significa “esfera” e, na verdade, Exu é o orixá do movimento (associado a figura de Mercúrio ou Hermes)
É ele quem deve receber as oferendas em primeiro lugar a fim de assegurar que tudo corra bem e de garantir que sua função de mensageiro entre o Orun e o Aiye, seja plenamente realizada.
As saudações de Exu são - Laroyê exú! (yorubá)   ou ainda, Exú é mojubá!
“Saudação amiga à Exú” ; móju (viver à noite) bá (armar emboscada) -  “Exú gosta de viver a noite, sempre capaz de armar emboscadas”.;


Toy Art - Ogum Orixá

Ogum
O senhor dos metais. O próprio Ogum forjava suas ferramentas, tanto para a caça, como para a agricultura, e para a guerra.
Era o filho mais velho de Oduduwa e de Obatalá, o casal primordial e propulsor da criação, os fundadores de Ifé, a antiga cidade Yoruba no sudoeste da Nigéria onde atribui-se o nascimento da lenda dos candomblé.
Associado a São Jorge e a Marte ou Ares
Saudação de Ogum é - Patakori Ogun! (yorubá)  ou ainda, Ogunhê! (brado que representa o força de Ogun) pàtàki (principal); ori (cabeça) – Muita honra em ter o mais importante dignitário do Ser Supremo em minha cabeça!;
Toy Art - Oxalá Orixá



Oxalá
É o Orixá associado à criação do mundo e da espécie humana. Apresenta-se de duas maneiras: moço (chamado Oxaguian, identificado no jogo do merindilogun pelo odu ejionile) e velho (chamado Oxalufan e identificado pelo odu ofun e ejiokô).
A cor de Oxaguiam é o branco levemente mesclado com azul; a de Oxalufam é somente branco. O dia consagrado para ambos é a sexta-feira.
Sua saudação é ÈPA BÀBÁ! Oxalá é considerado e cultuado como o maior e mais respeitado de todos os Orixás do panteão africano. Simboliza a paz, é o pai maior nas nações das religiões de tradição africana. É calmo, sereno, pacificador; é o criador e, portanto, é respeitado por todos os Orixás e todas as nações. A Oxalá pertencem os olhos que vêem tudo;
Toy Art - Oxum Orixá
Oxum
Na religião yoruba, é uma orixá que reina sobre a água doce dos rios, o amor, a intimidade, a beleza, a riqueza e a diplomacia. No candomblé. Oxum é dona do ouro e da nação ijexá.
O seu nome deriva do Rio Osun, que corre na Iorubalândia, região nigeriana de ijexá e Ijebu.
Nas religiões afro-brasileiras é sincretizada com diversas Nossas Senhoras. Na Bahia, ela é tida como Nossa Senhora das Candeias ou Nossa Senhora dos Prazeres. No Sul do Brasil, é muitas vezes sincretizada com Nossa Senhora da Conceição, enquanto no Centro-Oeste e Sudeste é associada ora à denominação de Nossa Senhora, ora com Nossa Senhora da Conceição Aparecida.

Toy Art - Oxossi Orixá



Oxossi
É o orixá da caça e da fartura. Pierre Verger, em seu livro Orixás, diz que o culto de Oxóssi foi praticamente extinto na região de Ketu, na Iorubalândia, uma vez que a maioria de seus sacerdotes foram escravizados, tendo sido enviados à força para o Novo Mundo ou mortos.
Aqueles que permaneceram em Ketu deixaram de cultuá-lo por não se lembrarem mais como realizar os ritos apropriados ou por passarem a cultuar outras divindades.
Saudações de Oxossi são - Okê arô! (yorubá)
Okê (monte); arô (título honroso dado aos caçadores) – Salve o grande Caçador!.
Toy Art - Xangô Orixá

Xangô
No seu aspecto divino, permanece filho de Oranian, divinizado porém, tendo Yemanjá como mãe e três divindades como esposas: Oyá, Oxum e Obá.
Foi ele quem criou o culto de Egungun, sendo ele o único Orixá que exerce poder sobre os mortos.
Xangô é viril e justiceiro; castiga os mentirosos, os ladrões e os malfeitores. Sua ferramenta é o Oxê: machado de dois gumes. Xangô é o Orixá do Poder, ele é a representação máxima do poder de Olorun
Para saudar Xangô diz-se - Kawô Kabiecile! (yorubá)
Ká (permita-nos); wô (olhar para); Ka biyê si (Sua Alteza Real); le (complemento de cumprimento a um chefe) – Permita-nos olhar para Vossa Alteza Real!.
Toy Art - Iansã Orixá

Iansã
Os devotos costumam lhe oferecer sua comida favorita, o àkàrà (acarajé), ekuru e abará.
No candomblé a cor utilizada para representá-la é o marrom, ainda que seja mais identificada com a cor Rosa ou o dourado. No Brasil houve uma grande distorção com relação as suas regências e origens.
Inhansã ou Oiá, como é também chamada no Brasil, é uma divindade da Mitologia Yoruba associada aos vento e as águas, sendo mulher de Xangô, o senhor dos raios e tempestades.
É saudada como "Iya mesan lorun", título referente a incumbência recebida como guia dos mortos.
Em Salvador, Oyá ou Iansã é sincretizada com Santa Bárbara;
Toy Art - Obaluayê Orixá


Obaluaye
Obaluaye em iorubá Obaluàyé é traduzido por (rei e senhor da terra), Oba (rei) aiyê (terra), Obaluaiyê, Obaluaê, Xapanã, também é conhecido como (Babá Igbona = pai da quentura) deus da varíola e das doenças contagiosas, é ligado simbolicamente ao mundo dos mortos.
Tem como emblema o Xaxará (Sàsàrà), espécie de cetro de mão, feito de nervuras da palha do dendezeiro, enfeitado com búzios e contas, em que ele capta das casas e das pessoas as energias negativas, bem como "varre" as doenças, impurezas e males sobrenaturais.
Para saudar Obaluaye - Atoto! (yorubá)
Atoto (Silêncio) – Silêncio! Ele está entre nós!
Toy Art - Iemanjá Orixá

Yemanjá
Iyemanjá, Yemanjá, Yemaya, Iemoja, Iemanjá ou Yemoja é uma orixá africana, cujo nome deriva da expressão Iorubá Yèyé omo ejá ("Mãe cujos filhos são peixes"), no Brasil, a orixá goza de grande popularidade entre os seguidores de religiões afro-brasileiras e até por membros de religiões distintas.
Em Salvador, ocorre anualmente, no dia 2 de fevereiro, a maior festa do país em homenagem à "Rainha do Mar".
Yemanjá é saudada como - Odô-fe-iaba! (yorubá)   ou ainda, Odô iá!
Odô (rio); fe (amada); iyàagba (senhora) – Amada Senhora do Rio (das águas) !

Toy Art - Oxumaré Orixá


Oxumaré

Seu nome significa a cobra-arco-íris em nagô, este orixá representa a mobilidade e a atividade, uma de suas funções é a de dirigir as forças do movimento. Ele é o senhor de tudo que é alongado, o cordão umbilical, a serpente, etc., representa também a riqueza e a fortuna.

No Brasil seus iniciados usam Brajá - longos colares de búzios, enfiados de maneira a parecer escamas de serpente.
Saudação: Arroboboi Oxumarê!;

Toy Art - Omulu Orixá
Omulu
Na África, é considerado junto à sua mãe Nanã, o Orixá da morte.
Pipocas são estouradas em panelas com areia da praia aquecida, para celebrar sua relação com Iemanjá. A lenda diz que Omolu, muito doente, foi abandonado num rio perto da praia por sua mãe Nanã, por ele ter nascido com grandes deformidades na pele. Iemanjá tinha um enorme amor por ele, adotou-o como filho e o curou de suas doenças. Por isso, são realizadas oferendas a Omolu nas areias das praias do litoral brasileiro.
Saudação: Atoto ajuberú, omolú ke;


Toy Art - Ibejis  Orixás Crianças

Ibejis
Ìbejì ou Ìgbejì - São as divindades infantis gêmeas da vida, protetores dos gêmeos na Mitologia Yoruba, identificados no jogo do merindilogun pelos odu ejioko e iká.
No Brasil existe uma confusão recorrente entre os Ibejis e os Erês, a palavra Eré (não confundir com criança que em yorubá é omodé) vem do yorubá, iré, que significa "brincadeira, divertimento". Daí a expressão siré que significa “fazer brincadeiras”. É evidente que há uma relação, mas não se trata da mesma entidade. São sincretizadas aos santos gêmeos católicos Cosme e Damião.
Ibeji na nação Keto, ou Nvunji em Angola e Congo. São as divindades da brincadeira, da alegria; sua regência está ligada à infância.
Saudação é 'Omi Beijada!';









terça-feira, 6 de novembro de 2012

O Bando de Lampião - versão Toy Art



Virgulino Ferreira da Silva, (Serra Talhada, 4 de Junho de 1898 — Poço Redondo, 28 de julho de 1938) - o Rei do cangaço, mais conhecido como Lampião, e sua companheira Maria Bonita (Paulo Afonso, 8 de março de 1911 —  28 de julho de 1938) formaram o casal mais unido e temido do sertão.


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Lampião mistura todas as qualidades e defeitos do bandido heróico e chegou a ser considerado o Robin Hood brasileiro pela revista americana Time de 1931, imbuída de lenda. Até os 21 anos de idade ele trabalhava como artesão, era alfabetizado e usava óculos para leitura, características bastante incomuns para a região sertaneja e pobre onde ele morava. Uma das versões a respeito de seu apelido é que ele modificou um fuzil, possibilitando-o a atirar mais rápido, sendo que o cano aquecia tanto que brilhava dando a aparência de um lampião. Destacamos a bravura e heroísmo de Lampião e a coragem e firmeza de Maria Bonita, que mesmo passando por todo tipo de dificuldade, continuaram unidos e com a esperança de uma vida mais tranqüila, longe do crime e longe das armas. apesar de perverso, queria ser visto como um homem bom. Lampião é conhecido como o Robin Hood do sertão brasileiro, que roubava de fazendeiros, políticos e coronéis da época do coronelismo para dar aos pobres miseráveis, que passavam fome e lutavam para sustentar famílias com inúmeros filhos.
 Toy Art de Lampião


Era devoto de Padre Cícero e trazia sempre consigo um rosário e uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. e respeitava as suas crenças e conselhos. Os dois se encontraram uma única vez, no ano de 1926, em Juazeiro do Norte.

Em várias das cidades que invadiu chegou a ir à igreja, onde deixava donativos fartos, exceto para São Benedito. "Onde já se viu negro ser santo?", dizia, demonstrando seu racismo. Supersticioso, andava com amuletos espalhados pela roupa. Levou sete tiros e perdeu o olho direito, mas acreditava-se que tinha o corpo fechado.
Toy Art de Maria Bonita


Sua namorada, Maria Gomes de Oliveira, conhecida como Maria Bonita, juntou-se ao bando em 1930 e, assim como as demais mulheres do grupo, vestia-se como um cangaceiro e participou de muitas das ações do bando. Virgulino e Maria Bonita tiveram uma filha, Expedita Ferreira, nascida em 13 de setembro de 1932. Porém, ao mesmo tempo em que metia medo nas pessoas, era respeitado; ao mesmo tempo em que era bandido, era autoridade. E é justamente desse modo que ele ficou na memória das pessoas: a figura do guerreiro, estrategista, inteligente, leal e honesto. O bando de Lampião foi cercado e morto em Angicos, Sergipe, os integrantes do bando foram degolados e as cabeças expostas como troféus na escadaria onde hoje funciona a Prefeitura de Piranhas (AL).

domingo, 21 de outubro de 2012

Porque o PÃO DE ACUCAR se chama PÃO DE ACUCAR



Os cristais formados nos tachos em fôrmas de metal que tinham o formato de um cone invertido pareciam com a montanha do Rio de Janeiro

Os Portugueses que chegaram ao Brasil no século XVI, acreditavam que o morro do Pão de Açúcar no Rio de Janeiro fosse uma obra feita pelo homem
Diz a lenda que foi o próprio Padre Anchieta que colocou o nome no morro de "pão de açúcar" pois parecia com cones obtidos no refino do açúcar.

A forma de se produzir açúcar durante a renascença era através da purgação de açúcar ou a antiga maneira de se purgar o açúcar, isto é, separar os cristais formados do melaço, operação característica dos antigos engenhos de açúcar. Nos engenhos, essa separação consistia na colocação da massa cozida obtida nos tachos em fôrmas de metal que tinham o formato de um cone invertido, com um orifício inferior por onde o mel escoava por gravidade.
Charles Landseer circa 1827 Pão de Açucar visto da Estrada Silvester 

Para auxiliar a purga era necessário se manter o açúcar com um grau adequado de umidade, o que se conseguia através da colocação de uma ou mais camadas de barro, ou mesmo de estrume, na parte superior da fôrma, que eram cuidadosamente umedecidas a cada cinco ou seis dias. Essas operações tinham de ser feitas cuidadosamente, pois delas dependia a qualidade final do açúcar. Uma vez escoado o melaço, após um período que podia chegar a um mês, dependendo do clima, os cristais de açúcar estavam aglutinados e eram retirados das fôrmas em blocos que tinham tomado a geometria destas. Ora, isso guardava semelhança com a produção do pão, que também era assado em fôrmas, e assim por analogia, passou-se a denominar de "pão de açúcar" o cone de cristais obtido após a purga.

Philip-Galle-1537


Mas os cones não eram homogêneos quanto à qualidade do açúcar, nem tampouco eram práticos para se embalar e transportar. Assim, uma vez produzidos, eram quebrados, levando-se em conta as camadas mais claras e escuras, que correspondiam a um açúcar mais branco na base do cone e mais escuro em seu ápice. Essa é outra razão para as fôrmas serem cônicas, pois a região da base do cone, de açúcar mais branco, era bem mais volumosa do que a do ápice, onde o açúcar era mais escuro. As regiões do cone que tinham o açúcar mais escuro eram retiradas por intermédio de um facão, em uma operação denominada de "mascavar" e o açúcar escuro era chamado de "mascavado", que também significa "quebrado". O bloco restante de açúcar branco era desfeito com o auxílio de toletes de madeira e era posteriormente colocado em caixas para seu transporte. 


Havia também os açucares especiais, como a base do cone, que cuidadosamente cortada com a espessura de alguns centímetros, era embalada em palha ou couro, ou ainda aparada em formato de cubos, com a finalidade de se presentear. O melaço resultante da purga era enviado novamente aos tachos, onde durante sua concentração era batido com o auxílio de uma escumadeira e originava o açúcar "batido", tanto branco como mascavado. Esse processo é semelhante ao das "batedeiras" das atuais refinarias de açúcar amorfo. Os métodos descritos foram utilizados por centenas de anos, desde o advento da produção de açúcar. Com a invenção da centrifugação, como método de separação dos cristais de açúcar na primeira metade do século XIX, o sistema de se purgar o açúcar por gravidade empregando-se fôrmas foi rapidamente abandonado, tornando-se curiosidades do passado, assim como os vocábulos que se originaram dessas práticas.